terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ser e ou não ser eis a questão

Algo de velho me veio a cabeça ao ler um curto depoimento no Facebook, de alguma forma tem relação com o momento no qual estou vivendo. Não é a pretensão deste texto chegar a uma verdade, mas questionar e encontrar uma possibilidade deste momento. Não recorrerei a outros autores, porém poderá ser encontrado algumas menções diretas ou indiretas, já que estou imerso a eles, porém, não tem um valor acadêmico, mas algo mais dentro de um mergulho pessoal.

“Não precisa ser tudo ou nada! Casual também é bom!”

Esta é a frase, falarei de como ela me vem, não sendo uma critica ao tipo de pensamento, mas como ela me toca e me desloca, não sendo uma estrita resposta ou sentimento a ela, já que por vezes, ela já me veio na cabeça, não exatamente neste termos, mas estava muito presente.

Destrinchando a oração total em partes e caminhar aos poucos. “Tudo ou nada” tem o sentido de algo que deve ou não acontecer, outras expressões semelhantes são: “ou vai ou racha”, “8 ou 80”, tem um sentido de viver nas extremidades, como se fosse preciso fechar os olhos e se jogar num abismo, não podendo haver um caminho menos doloroso ou um caminho que as escolhas fossem menos penosas e temerosas. Mostra uma atitude radical, fixa, presa ao ser ou não ser e a parte seguinte modifica o “ou” para “e/ou”.

Com a partícula negativa no inicio da frase, o autor coloca que não há necessidade de viver nesses extremos, e isso me lembra alguns conceitos como o caminho do meio, tanto búdico como judaico. Sendo que o Judaico, fala que deve se andar no meio da estrada, pois nas beiradas há os sulcos deixados pelas carruagens e aqueles que andam neste lugar, podem se machucar com maior facilidade e não conseguem ver muito distante, estão sempre olhando para o buraco. Já os budista, o caminho do meio se dá não pela omissão de ambas as polaridades, mas é a tomada de um caminho que nem sempre é o mais fácil, mas o que aparentemente é o correto. Há uma escolha entre ir por um caminho, ou por outro. Exatamente meio não parece existir, mas a metáfora se mostra no balanço de um barco, ele nunca está parado, mas nunca está em uma única extremidade, há um equilíbrio para poder manter sobre a água.

Não seria estar em inercia, então. Com isso, não seria não querer se responsabilizar também. Ser maleável como um bambu, porém a frase seguinte foi aquela que me tocou mais estranhamente.

“Casual também é bom!” a principio quebra tudo o que havia falado, pois há um prazer do acaso, e acaso não tem uma escolha muito precisa, algo que acontece de vez em quando, que a principio não há um preço. Como tomar uma decisão dentro do casual? De alguma forma é deixar também dentro da inercia. Outra pergunta é qual é o medo que envolve nesta frase? Aquele que grita dentro de mim.

Mudo rigorosamente de assunto. Resolvo pensar em minhas vivencias que me trazem esta questão que são as relacionais e para isso teria que tentar desenvolver um pouco mais daquilo que acredito que separa o ser humano das outras coisas. Tentarei ficar o mais distante do dicionário, ele fecha a questão e o pensar e sentir se fecham em poucas palavras.

A palavra Amar é a palavra que muda tudo, justamente por não sabermos direito o que ela significa e damos muitos significados a ela. De alguma forma a frase a inicial fala desse amar. Ela pode se transformar em Arma se trocarmos as letras de ordem. Não sendo este caminho a seguir, introduzo o conteúdo da reflexão, para enfim, voltar a discussão inicial.

Conversava com alguns amigos, cujo o pensamento estava voltado para um ser humano físico-químico, devido a formação acadêmica de cada um. Fiquei assustado pelos caminhos que a conversa andava, já que de alguma forma há um sentido, há uma lógica por trás e como seria possível quebrar essa lógica? Realmente o ser humano é regido pelos estímulos físicos e químicos e há algo a mais, que a física e a química não explicam. Como falar disso, sem entrar num dogma religioso? Já que a palavra Amar é muito usado pelos cristãos, no exemplo.

É deste que começo a discussão: “Amai o próximo, assim como ama-te a ti mesmo” esta frase parece simples. Faça para os outros o mesmo que você faz para você mesmo, posso ficar mudando as palavras e criando outras possibilidades de falar a mesma coisa e continuar alienado ao sentido dela. Por um tempo de minha vida, tentei seguir estritamente esse conselho, porém, eu errava em algum lugar, pois eu desgostava de algumas pessoas, e pelo que havia aprendido esse amor era o amor mais pleno e etéreo, com isso, eu precisava amar a todos. Um dia percebi o quanto eu me odiava em alguns momentos da minha vida, por ter ou não feito algo perante uma situação, mas como também eu me achava dentro dos sentimentos quando algo que fazia era positivo. Percebi nesse momento, que esse “Amar” não era apenas um sentimento positivo, e que poderia muito bem ser substituído por sentir, ou sentimento. No fundo, aprendi a respeitar o outro como deve ser respeitado. Assim, como uma criança, quando faz má criações e os pais reprimem esse ato, aprende como deve responder a tais situações e respeitando o outro na sua particularidade, nem mais nem menos, assim a vida deveria seguir com os outros, porém, segundo o que eu compreendo da religião cristã, se não amar a todos de maneira positiva, significa uma fraqueza e a culpa recai sobre as pessoas, além da sensação de impotência perante o tal feito não cumprido.

Esse argumento não me serviria de nada dentro daquela conversa com aqueles amigos, pois eles afirmariam que a religião não cabia dentro da discussão e além do mais, eu distorcia o sentido original, e por fim que o amar, é apenas um estimulo elétrico, e gerações químicas dentro de nós.

Falo que o ser humano, é constituído de água e que o material elétrico não suportaria, pois a eletricidade e água não se combinam. Porém, dentro da minha imaginação percebi que também, não seria isso que mudaria a conversa, pois os robôs podem muito bem serem constituídos por fios e placas com circuitos que recebem o comando de uma CPU central (Neurônio e Axônios e SNC). Água também não era um bom argumento, certo que coloquei no sentido dos cristais de água mudarem conforme o tipo de pensamento, algo que ainda difere o ser humano das máquinas. Não me bastando ataquei a matemática, lugar que ficam a todos a comprovação de que é “real” ou não. Sempre colocada como a ciência mais exata, porém dentre todas as ciências ela é a mais imaterial, mais abstrata. Como podemos então depositar nossas crenças em uma comprovação da realidade num método abstrato?

Não fiquei contente, mas satisfeito com a resposta pois assim ganhara um tempo para pensar mais, algo gritava ainda dentro de mim. Contradição e ambivalência, dois sentidos contidos em um sentimento, estava satisfeito mas não contente ao mesmo tempo. Aqui estava a chave, mesmo na ideia cristã, não tinha como, percebia que uma determinada pessoa, oras eu gostava de estar perto, oras me sentia sufocado e a queria muito longe. Seria a mesma coisa, que falar para um computador que zero é um e zero é diferente de um, apesar de poder se pensar em colocar que zero é diferente ou igual a 1´ ou ´´ ou ´´´ assim por diante. Mas há uma contradição em nós que nos diferencia dos outros seres. No caso do computador, quando há um conflito de informação, ele simplesmente trava, enquanto que o ser humano continua até encontrar uma solução para o conflito. Seria possível ensinar o computador resolver conflito? Ou melhor a viver no conflito?

Dentro desta humildade, procuro argumentos melhores com a questão do físico-químico colocada por esses amigos. Pensei na questão do remédio novamente, e quando uma pessoa vai se tratar com qualquer profissional da saúde. Muitas vezes, o remédio fica secundário a atenção que aquele que procura ajuda recebe do profissional, sendo que um mesmo remédio pode ter dimensões de cura diferente, dependendo do profissional que cuida. Isso sem levar em conta o indivíduo em si e todas as questões envolventes.

Há algo ia que nos modifica, algo inexato. Quando se trata uma pessoa, as anamneses seria uma maneira de entender como cada pessoa “voa”. Aqueles que não são tocados pelo voo dos pacientes não percebem o quão belo tem abaixo da questão de cada um. A intenção destes profissionais deveria ser almejar que o outro reaprenda a voar livremente.

Assim como um pai ou mãe cuida de um filho ou filha, o desejo é que eles brilhem, que eles voem, pois somente assim, eles serão muito maiores que são neste momento como casal. Verão a sua própria criação voar e ficaram admirando o voo deste.

Seguindo o pensamento que não para, a questão da paixão e amor platônico surgem. O ultimo ocorre quando este sentimento se encontra apenas em uma direção, mas o que fica apenas de um lado? Pensando nas crianças que olham para uma pessoa mais adulta e ficam admiradas por ele, querendo ficar com ele em todos os lugares, porém há um impedimento. Apesar do impedimento, aquele que ama continua tentando em seu imaginário estar com o objeto amado. As pessoas ficam admirados como a outra pessoa voa, assim como se pode ver no inicio de Werther, que logo deixa de ser, se transformando numa paixão, momento que ele deixa de ser ele, que não consegue viver sem a pessoa desejada. Ele não existe e segue até ao aniquilamento de si.

Na paixão a pessoa fica a mercê da outra, é algo que invade e o amor tem um querer ficar junto, porém, se é ativo.

Recolocando, o amar se dá no momento que ficamos admirados com o voo alheio, sendo o desejo de acompanhar aquela beleza, então voamos perto para saber o que o outro faz e aprender com ele. Quando se encontra um outro que o estimule a voar cada vez mais alto, mais alto se aprende a voar, pois é ali que se quer ficar. Algo que quando se está sozinho, não é possível, pois a verdade que se conhece é aquela que se aparece, a que ele é possibilitado a ver. A partir do momento que alguém descobre que pode voar mais alto do que aquela altura, e caso ela não admire aquele que voa alto, ela temerá e pode também fazer de tudo para diminuir aquele voo, para se sentir na mesma altura porém sem alçar voo maior. Sendo assim, tem uma outra parte que não foi colocado aqui.

Apesar de admirar o voo do outro, tem uma força contra que deseja que a pessoa voe ao seu lado, pois é um belo voo, nisso congelamos o outro e ficamos admirando aquele voo do passado e segurando para que o outro não voe, pois se realmente deixarmos o outro voar como deve, talvez esse voo será para muito longe de nós e não é prazeroso admirar o voo do outro de longe. Muitos pais, não deixam seus filhos alçarem voos, pois para isso, precisam abrir mão desta admiração de perto. Pensando numa relação mais adulta, não seria a mesma coisa?

Nesse sentido volto para a frase inicial, seria este casualmente uma maneira de manter a admiração esse voar sem prender o outro? Distante porém presente. Chego nessa questão, ainda me com muitas questões. Ficar nesse vai e não vai, as pessoas também se prendem num falso voo, pois fica na questão de não querer subir mais e manter o outro ali ao lado, já que por vezes, subir demais pode causar dor, pode ser queimado pelo Sol e perder as asas, assim com Icaro.

Outro ponto é que no fundo há um medo de não ter que fechar as portas para outros voos. Ou quando a pessoa que voa do nosso lado, não é voa como queremos voar, de qualquer forma há um receio de fechar portas, porém, mesmo não querendo fechar portas, elas uma hora fecharão e quando se olhar para o lado e perceber que muitas portas se fecharam, o desespero aparece, pois imaginávamos voando alto, porém estávamos dando rasantes a todos os momentos.

Escolher um voo, não significa ficar preso, como sempre foi visto, porém descobrir outras possibilidades com o outro, é abrir outras portas que antes não era possível serem abertas por si. No fundo Respondendo aos meus amigos: só poderá haver um robô parecido com um humano, quando for possível ensinar amar, ou seja ensinar admirar o voo do outro e ficar no eterno conflito em deixar ou não o outro voar por si. E a frase: admiramos o voo, muitas vezes, gostamos de acompanhar o outro no seu voo e ficamos felizes quando o outro também aceita a voar com a gente. Casualmente é não ter encontrado, mas estar passando o tempo para encontrar, mas enquanto estiver no casual, como sabemos se é ou não? Já que não entramos em contato real com o outro? Além de no fundo não libertar o outro verdadeiramente, para que ele se descubra em seu voo?

domingo, 7 de agosto de 2011

Estou meio perdido, digo estava.
Meu dia não começou de tão mal, estava bem, mas de alguma forma as coisas foram mudando. Teria que começar a falar sobre o ano passado, que também houve um churras e desse churras, chorei horrores... quem foi viu, quem não foi perdeu (Risos). Algo daquele maravilhoso dias me despertou, um sentimento de saudades, ao qual me é impossivel matar...
Segui firme com aquele sentimento no peito e meu figado gritando. Fui, inicialmente fiquei de boa, até um pouco isolado, soltando-me aos pouco... mas fiquei um bom tempo com aquele negocio dentro de mim... não era fome, pois cheguei sem fome, o que é difici, mas comi... acho que era gula, mas enfim, churrasco sem comer não é churrasco.
O dia foi passando com um maravilhoso sol que fomos abençoado.
Meu corpo não respondia como desejava, apesar de algumas pessoas tentaram me ajudar a sair desse estanque, não conseguia. Comecei a ficar assustado, era como se tivesse uma corda nos meus pés... mas resolvi respirar, deixei rolar...
Foi o dia perfeito para ficar de boa... um dia para ficar em casa, mas não estava... Se me perguntarem se estava desconfortável, digo que não, pois são pessoas especiais que fizeram e fazem parte da minha vida... como diria o ditado, intimidade é uma merda... agora não tem como tirá-los de minha vida, pois fui afetado pela boa companhia de cada um, no seu jeito.
Toquei guitarra, por um tempo, mas sentia que faltava algo, não sabia descrever o que era... toquei com alguns duetos bem envolventes, pelo menos foi isso que senti, pois não tinha retorno e isso complica, mas a musica deve rolar :) Houve muito karaoke num volume bem alto. Entre cantos e encantos, aquilo dentro de mim foi se esvaindo, diluindo até uma determinada musica, que tocou de forma estranha... "pai"... e fiquei comigo um pouco, sentindo aquele momento, me isolando por mais um momento... isso é algo que eu preciso pedir perdão, não pude estar na minha melhor condição para o David ter uma inspiração a mais para as coreografias (piada do fim de festa)... porém algo aconteceu, e a minha alma acalmou... pude soltar minha alma...
"Jogar" basquete, tentar uns passos timidos, escutar muitas musicas no karaoke, escutar o soar do violão por outras mãos que não as minhas, escutar as vozes cantando, encantando ou cantarolando e voltar para o violão... me reencontrando aos poucos e deixando fluir o mal estar para fora e transformar qualquer musica em soul... Neste momento, bate uma fominha... ahahhaha mas ok.
Quando o David me falou: " Cara, você arrasou novamente". Gostei de escutar aquilo, não como uma massagem egoica, mas como um estar inteiro ali, naquele momento, mas isso não seria possivel, sem as preciosas pessoas que estiveram presentes nesse maravilhos dia de sol.

sábado, 6 de agosto de 2011

Como? Eu só tenho que ficar sentado?

Mais uma vez, fui pego por mim mesmo.

Estava passando por uma fase boa de minha vida, as questões tinham sessado, porém resolvi entrar nesses sites de misticismo. Cadastrando-me num "serviço" gratuito de leitura astral. Àqueles que me perguntarem se eu acredito, temo responder que não, porém tenho fascínio sobre o assunto, justamente por não entendê-lo.

Nisso, logo recebo um e-mail falando sobre o acesso. Segundo e-mail, diz que estou para ter uma mudança na vida e precisava agir com rapidez e como eu tinha pedido a ajuda da pessoa ela estava focada em mim, porém precisava de uma doação de 2 euros, até ai, estava achando graça. Na minha visão, a vida nunca para até o momento que morremos, porém tem momentos de estanque, como se fosse necessário tomar folego, levantar a cabeça para seguir o seu caminho. Assim como os peixes que pulam para fora d'água.

Voltando um pouco para a historia, então começaram os avisos de "desastres" de que eu não conseguiria fazer sozinho etc... então, eu comecei a ficar para baixo com todas aquelas informações e tentando digerir. No fundo estava sendo esvaziado de mim mesmo... ela tirava toda a minha responsabilidade de ser eu mesmo, na minha potencia ou não e se colocando como alguém muitos mais capacitada do que eu mesmo com relação a minha vida.

Comecei a entender que o que estava acontecendo naquele momento é que ela estava me diminuindo e com isso a estima também estava indo com ela sem eu perceber... Como se eu não fosse a minha vida... que trágico isso, então fiz um atendimento que eu não gostei, e fiquei pensando o que estava acontecendo, e refleti que talvez eu tenha atuado nesse sentido também... para além disso, sempre considerei o pensamento Budista que é: "se não for para um crescimento do outro, então melhor não falar" e começo a pensar o que leva o crescimento e o que não leva. Falar simplesmente para uma pessoa que ela precisa de ajuda, nem sempre é uma solução e insistir que ela precisa de ajuda e não é capaz de resolver por si mesma, creio que é ainda pior. Basta refletirmos, quantas vezes aceitamos a opinião alheia quando estamos para baixo? Somos sempre donos de nossas verdades, por mais que estejam erradas... porém, é preciso também um pouco de humildade, para pelo menos escutar o que o outro está falando e ver se é ou não.

Na atitude da pessoa que me mandou os emails e na minha, que eu suponho ter feito, o que não condiz muito, mas acho que isso é possível, pois na relação alguns aspectos são acionados sem muita precisão. Me esqueci de devolver o que era próprio da pessoa, ela mesma.

Fica a pergunta, quantas vezes, não fazemos isso por dia? Se fazemos com o outro e/ou com nós mesmo? O quanto deixamos o outro dizer que não pertencemos a nossa existência e que não temos a energia para continuar o nosso caminho. Certo que acredito em inconsciente, mas nem por isso deixamos de fazer o melhor, desde que assumimos os nossos atos.

A partir do momento que começamos a culpar o outro pelo o que a gente faz ou deixa de fazer, é porque tem um sinal de que uma ajuda pode ser necessária, ou quando a vida te paralisa.

Não me encontrava em nenhuma dessas situações, e disso tirei que, a pior coisa que pode acontecer a um ser humano é alguém lhe tirar a potencia de ser quem é e como se é. E o maior presente é devolver a ele suas potencias seja conhecidas ou não.

Como fazer isso é um longo caminho de não saberes.

Deixo aqui mais uma reflexão... ainda crua... mas presente


sábado, 30 de julho de 2011

03/11/2009

Como que eu não havia percebido
Enquanto estavamos junto
a felicidade beirava a nossa porta
mas nada podiamos fazer,
os impedimentos da vida nos separa
nos deixa distante
os oceanos nos separam
os sentimentos nos aproximam
agora tenho que seguir em frente
nada posso fazer
a não ser seguir e tomar minha vida novamente
obrigado
eu já fui feliz um dia e isso me cria esperança para encontrar a felicidade novamente
Quero me divertir novamente,
dançar com outras pessoas,
poder conversar de madrugada

terça-feira, 26 de julho de 2011

Rebecca - Estoria

O quarto não era nem escuro, nem claro, era apenas um quarto sem vida, ou melhor, com pouca vida. Havia um ruido constante de máquina e um bipe de vez em quando. Acortina dançava levemente devido ao vento que passava pela janela. Naquele dia em especial, não havia nada de especial, era a rotina daquele horário.

Soava um chave rodando na fechadura, eram seis horas da tarde. A porta foi aberta delicadamente, Rebecca entrou sala a dentro, com seus belos cabelos, de altura média e belo corpo.

Entrou pela casa com suas olheiras de cansaço, fazia tempo que ela não dormia direito. Apesar disso, ela aparentava bem mais nova do que seus vinte cinco anos. A genética sempre ajuda, pensava ela, toda vez que se olhava no espelho. Apesar de tudo o que acontecerá a natureza foi boa com ela.

Entrou suspirando como era de costume, deixou suas coisas na entrada e foi direto para o banho. Tomou-o bem lentamente, acariciando sua pele com todo cuidado e carinho que alguém poderia ter. Trocou-se, colocou uma roupa mais confortável e foi para a cozinha. Colocou a comida na mesa, sempre preparada para dois.

Sentou, preparou seu prato, fechou os olhos e rezou. Abriu-os lentamente, pegou seu garfo e sua faca, brincou com a comida, sem ao menos colocá-la na boca. Isso era muito comum, tentava jantar, mas nunca conseguia, seu estomago embrulhava e nada entrava.

Empurrou o prato de lado, colocou seus cotovelos na mesa e afundou seu rosto em suas mãos. Começou a soluçar e o choro veio forte.

Retomava o controle devagar, respirava profundamente e lentou. Jogou a comida fora e lavou a louça.

Seguiu para o quarto, sentou na cama, suspirou profundamente, como se sua vida esvaísse por aquele suspiro.

Olhou para o lado, onde se encontrava uma maca e os aparelhos. Há 4 anos, vivia daquela forma.

Eram felizes, recém-casados, quem não é? Certo que havia os casamentos forçados, mas esses não contam, o que era mais lindo na historia deles eram que eles eram apaixonados um pelo outro. Sempre via as fotos para relembrar os bons momentos.

Maldita realidade... pensava. Sentia-se culpada, foi por isso que cuidou dele, durante todos aqueles anos.

“hoje, conheci uma pessoa... na verdade, não conheço de agora... mas sinto que apenas agora é que eu a conheço. Ela me faz sentir segura, me tira os problemas das costas... até massagem ela fez em mim... Me senti solta... leve... pela primeira vez em quatro anos...” Olhou para o chão.

“sei que não é sua culpa e nem minha... mas com ela, eu posso conversar.. falar.. ser tocada... sinto tanta falta disso.. nunca pensei que isso fosse acontecer com a gente... Sei que jurei amor eterno.. na saúde e na doença... juro que estou tentando...” chora mais uma vez. “ Se pelo menos você piscasse... poderia te sentir de alguma forma... mas...” suspirou novamente.

“Fui em todos os lugares, conversei com todas as pessoas que eu consegui conversar e nada mudou... gostaria tanto de poder sorrir novamente, mas todas as vezes, que penso ou me vejo sorrindo, me sinto péssima!” Silenciou, como se esperasse algum retorno sonoro daquele corpo imóvel. Ele continuou do mesmo modo.

Voltou seu olhar para sua mão, refletiu mas um pouco.

“O que você espera que eu faça?” Novamente a pergunta se perdeu no vazio.. Voltou a chorar.

“Sabia... não sei porque insisto” Levantou e foi até a cozinha tomar um copo de água. Tudo de forma muito melancólica. Seus ombros doíam, parecia carregar o mundo nas costas.

Seu olhar fugia pela janela a fora, enquanto segurava seu copo delicadamente.

Quando seus olhos voltaram para o quarto, o peso de seus ombros pareciam estar pior. Se ela fumasse, estaria já no terceiro maço, se bebesse, estaria em coma. Seguiu lentamente de volta para a cama. Com uma única frase na cabeça. “foram quatro anos”. Sentiu-se velha, queria tirar aquele peso de qualquer jeito. Ficou na porta olhando para dentro do quarto.

Olhou para o plugue da tomada. Agachou e segurou no intuito de desligar. Ficou um tempo ali, naquela posição. Fechou os olhos como se estivesse tomando coragem. Então, um desespero bateu dentro dela. Abriu os olhos e desesperadamente se jogou para o canto do quarto e encolhida e envolvida em seus próprios braços, começou a chorar.

Quando se recuperou, levantou e foi para ao lado da cama. Pediu perdão, por ter pensado em algo daquele gênero. Jurou amor eterno.

Quando foi sair do quarto, tropeçou no fio, que desligou os aparelhos. Quando se recompôs e percebeu que não havia mais ruido da máquina, se desesperou e gritou. Ficando chorando em cima do corpo moribundo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Motivação

É uma palavra que vem me acompanhando durante muito tempo...
Costumamos a falar que não nos sentimos motivados para fazer isso... ou aquilo... ou aquilo outro... Ou falamos que gostariamos de ajudar ao próximo, porém não tenho tempo, ou não tem lugar que possa contribuir e assim segue... há também, os momentos que estamos num emprego, e não sentimos na vida... nos sentimos a parte dela...

Volto na palavra motivação, poderia recorrer aos amigos que trabalham com isso, mas de alguma maneira gostaria de fazer uma reflexão e não apenas repetir conceito.

Segundo Abraham Maslow as pessoas são motivadas pelos seguintes itens - Auto-realização, Auto-estima Sociais, Segurança e Fisiológicas. Sendo assim, qualquer falta de um desses iténs, as pessoas podem se sentir desanimado ou desmotivado para fazer qualquer atividade, quantos mais desses iténs o individuo estiver privado, mais será sua sensação de desmotivação, no fundo, o individuo, em questão, será mais desmotivado, quanto menos possibilidades de ser ele terá, com isso, menos rica será sua vida. Há pessoas que sobrevivem a vida toda apenas com a categoria fisiológica, se muito, então me questiono, realmente vale esses iténs? Ou têm pessoas excepcionais? Penso nas pessoas que não tem nada na vida e continuam lutando e lutando e lutando, qual é a motivação envolvida nisso tudo?
Seguindo o pensamento de Maslow, quando o ciclo motivacional, por algum motivo, não se realiza, ele gera a frustração no indivíduo, que poderá assumir várias atitudes: Comportamento ilógico ou sem normalidade; Agressividade por não poder dar vazão à insatisfação contida; Nervosismo, insônia, distúrbios circulatórios/digestivos; Falta de interesse pelas tarefas ou objetivos; Passividade, moral baixo, má vontade, pessimismo, resistência às modificações, insegurança, não colaboração, etc.

Agora fico pensando como cada um pode continuar a se motivar, seria possivel a auto-motivação? sendo que é necessário o outro para ser estimulado, ou ser um egocentrico que se auto-elogia e acredita que tudo o que ele faz é lindo e importante, não conheci ninguém assim, por menor que seja o estimulo do outro, pois o homem se dá na relação, há uma recompensa para que o comportamento seja repetido ou não. Na relação, a frustração existe, para que ocorrar ela, é necessário o outro, é necessário parte de você mesmo, é necessário a sua expectativa com relação a, o seu desejo e o seu querer.

Uma pessoa me falou a seguinte frase, após eu ter falado sobre um plano que estava crescendo em minha mente: que se fosse fazer qualquer atividade com qualquer outra pessoa era necessário continuidade, caso contrário geraria raiva, frustração. Fiquei pensando bastante nisso, e se eu seguisse esse pensamento por toda minha vida, eu deixaria de fazer qualquer coisa, pois é duro ser alvo de raiva. Porém, depois de muito refletir, acredito que pior do que ter tentado e de não ter dado certo, é não ter tentando com o medo de errar, de não ter continuidade, é o medo de não seguir em frente.
Não posso ignorar os "mandamentos de Maslow", mas posso questioná-lo, como a questão de que há pessoas que não tem nada e continuam se seguindo, e a motivação está em algum lugar. Sendo que pessoas que tem quase todas as etapas e vivem a reclamar da vida.
Auto-realização, Auto-estima Sociais, Segurança, Fisiológicas. No fundo é: consigo sobreviver com isso? Sinto-me seguro com relação ao futuro? Tenho algum reconhecimento social? nem que seja aqueles que usufruem de minha companhia? Teria mais?
Quantas vezes, olhamos para o caminho que temos que andar e não reclamamos: "que preguiça!". Não há motivação para aquela ação, se não tem a motivação para aquela ação, então esteja na hora de procurar algo ou alguém que possa te motivar a continuar a fazer o que se deve fazer, não no sentido robotico, mas no sentido humano, nas possibilidades diversas de ser.
Entender que o outro também precisa disso, e caso você não possa dar, pelo menos indique alguém que você acredite que possa.

Próxima pergunta seria: Por que é tão dificil motivar e ser motivado?

mas isso é para um proximo texto ou para qualquer um que queira escrever


sexta-feira, 1 de julho de 2011

minha mente voa

Não sei mais o que fazer

por mais que eu tente não consigo te entender

e dizem que não

não preciso, mas não é o que eu sinto

não consigo tirar você de mim


Minha mente voa

Do que adianta entender

se não consigo viver?

Das coisas que tenho que fazer

em nenhum delas

faço sem lembrar você


Por vezes, eu te odeio, por vezes, não

por você não querer compreender a situação

por não dar uma chance para a vida desenrolar

de achar que sabe o que não


Quando penso ter te superado

sua imagem desgruda da sombra

e clareia minha mente

Eu fecho os olhos para não entrar a luz

porém sua luz domina

me ofusca e me confunde.