Quem sabe um dia eu possa vir a ser um poeta
para poetizar a vida
Desconcretizar meus sentimentos depositados
Transcrever minha alma no papel
Saber que hoje em dia a palavra não tem valor
falar fazer fazer falar nada importa pois
Tudo muda num instante
O efemero sentimento não é trabalhado
Não é sentido
é deixado no papel
Sem nenhuma alma sequer tocar
Paulo Tiago Akio Ogura
Um espaço de questionamentos e registros de minha pessoa sobre ações do mundo em mim e minhas no mundo.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
À minha criança...
Prometi
não escrever sobre a dança esse ano,
mesmo porque nem um grupo de dança está formado... aliás o grupo vem
desconfigurando a cada instante... será que foi o tempo da dança? Estaria eu
intuindo que esse seria o meu ultimo ano?
A vida
vem dando bordoadas de todos os lados e minha criança interna vem acuando a
cada dia mais para dentro na fuga das dores da vida em busca de respostas
imediatas... O vai não vai que não foi de uma promessa ainda não cumprida...
desanima o corpo que quer se mexer... que tinha um objetivo... mas como numa
brincadeira de criança, o tempo passa sem que se perceba... assim como ela, a
brincadeira, perde o sentido com uma facilidade ímpar... O que eu sinto não se
dá no sentido lúdico... o tempo que passa
sem nada acontecer... sem um sentido real da questão... é um tempo apenas... é
um não ocupar... é vazio de sentido.
O
desenvolvimento de uma ideia tem um determinado tempo e que deve ocupar um
espaço. Sem a ocupação do espaço, a ideia, a criação não passa de uma
fantasia... de um fantasma que assombra a todos... mas é preciso deixar que as
coisas rolem no tempo que devem rolar... Isso eu sei de cor e salteado,
racionalmente falando, mas não estou falando do racional... estou?
Quais
são as nossas fugas internas para dar sentido ao que se está vivendo? Eu tenho
descoberto muitas dentro de mim, fugas que me levam para a fantasia, para a
escrita, aliás a escrita me ajuda a concretizar minhas ideias fugitivas da
vida...
A
dança da vida está no descompasso do meus pés embriagados e saudosos do tempo
ido... mas a vida não é só o passado, ela tem o futuro e são esses mesmos pés
que travam para seguir na dança da vida... eu estou parado esperando o ritmo
entrar em meu corpo novamente para voltar a movimentar os pés... para enfim dar
o primeiro passo, o segundo... o terceiro e finalmente começar a dançar.
Por
vezes, fico refletindo o que eu devo fazer para conseguir dar os passos
necessários para a dança realmente sair... e me vem a imagem da mala, da mala
que carrego comigo para todos os lugares. A mala que pesa a alma de todas as
coisas que eu fiz e deixei de fazer.
Pesa a
escolha... o meu compromisso com a dança seria uma fuga? Ou eu estaria escrevendo
tudo isso pelo fato de saber que não vou poder dançar durante um mês?...
O que
eu sinto é que meus pés estão no vazio. Balançando, tentando encontrar um chão
para o corpo sentir: “Agora vai”... mas esse chão ainda não é chão... é o momento
da espera... mas a criança não espera... ela é o aqui e agora, no máximo no
instante seguinte...
Sim,
esse é um momento que eu tenho que esperar por muitas coisas, porque parte da
vida se faz da espera. Não da espera pacifica, bucólica, mas da espera ativa
que nos lança para a vida... mas sempre é acompanhada da angustia da não
resposta...
Sendo assim
o que me resta é deixar as coisas acontecerem... se dançarei? Não sei dizer,
porque até agora não há nada... e meus horários e minha condição física e
emocional também não estão lá essas coisas... o que eu posso dizer é que mesmo
que eu não possa dançar esse ano, baterei palmas para o processo, farei uma
reverencia para minhas angustias, darei um viva para a criança que ainda não
morreu dentro do mim.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Ai que saudades...
que me prende naquele lugar
entre montanhas e neblinas
que minha mente teima em me transportar
O medo
que me forçou a me esconder
em minha tagarelice
e no calado sentimento.
não é só a sua delicadeza das
pétalas
nem a sua agressividade de seus
espinhos
mas é a sua presença
como transpor o medo
sem ferir o outro?
Oh! saudades
daquele tempo
daquele lugar
de você...
Paulo Tiago Akio Ogura
Paulo Tiago Akio Ogura
terça-feira, 30 de abril de 2013
Até agora tudo deu errado
não conseguimos nos encontrar
não devemos perder a calma
pois vamos nos achar
Pensei a semana inteira
tentando descobrir o que há
parece que o destino não quis, até agora
parece que a vida virou assim, eu não vou embora
Mas agora vou deixar
e ver o que há
Vou me permitir você entrar
Vou me abrir, mas por favor não se esqueça
que eu vou deixar
deixar rolar
Sinto que tudo vai mudar quando a gente se encontrar
se a gente não abrir mão do medo que tentamos controlar
não seremos mais
O que aconteceu? Eu não sei explicar
mas essa busca não é em vão
deixa vir do coração
você entrou na minha vida
e agora não posso deixar você partir assim
Vamos nessa estrada, sem medo de nos conhecer
o único arrependimento seria não estar com você
se estou desse jeito, sem jeito
é porque você me faz querer ser
Mas agora vou deixar
e ver o que há
e vou me permitir ficar.
não conseguimos nos encontrar
não devemos perder a calma
pois vamos nos achar
Pensei a semana inteira
tentando descobrir o que há
parece que o destino não quis, até agora
parece que a vida virou assim, eu não vou embora
Mas agora vou deixar
e ver o que há
Vou me permitir você entrar
Vou me abrir, mas por favor não se esqueça
que eu vou deixar
deixar rolar
Sinto que tudo vai mudar quando a gente se encontrar
se a gente não abrir mão do medo que tentamos controlar
não seremos mais
O que aconteceu? Eu não sei explicar
mas essa busca não é em vão
deixa vir do coração
você entrou na minha vida
e agora não posso deixar você partir assim
Vamos nessa estrada, sem medo de nos conhecer
o único arrependimento seria não estar com você
se estou desse jeito, sem jeito
é porque você me faz querer ser
Mas agora vou deixar
e ver o que há
e vou me permitir ficar.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
O que a gente deveria ter feito a gente não fez
fizemos de uma gota um oceano não tinha que ser assimas mares da vida te levaram para longe de mim
tão longe que nem um grito seu pude
escutar
esta gota que corre em seu rostoque por desgosto explode em mim
Nas lagrimas contidas que rompem na saudades sem fim
O medo me tomou
Cresceu e detonouA falta de coragem impediu
de falar tudo o que se passou
A gente não conseguiu seguir em frente
O meu medo é te encontrar que não
seja de repenteTão longe que nem um grito seu pude escutar
Esta gota que corre em seu rosto
que por desgosto explode em mim
Nas lagrimas contidas que rompem na saudades sem fim
Gostaria que o tempo voltasse para
gente conversar
quem sabe a gente poderia se entender e os copos esvaziar
Gostaria de te falar tudo o que há e o
que não posso negar, mais nãoquem sabe a gente poderia se entender e os copos esvaziar
que apesar da vida te levar para longe de mim
esta gota que corre em seu rosto
que por desgosto explode em mim
Nas lagrimas contidas que rompem na saudades sem fim
domingo, 23 de dezembro de 2012
A reflexão de meus atos no espelho
parecem distante e disforme de mim
mesmo
O planejar de meus atos
se realizam na abertura de meus
sentidos
A realização deles, na
realidade,
se dão na eterna mistura da reflexão
e do planejar
Mas nada aconteceria se a abertura para a
realidade,
para aqueles que estão presentes,
não for criativa
O criativo não é egoico,
que passa por cima de todos.
O criativo é a construção
do dia a dia das relações
Que a transformação não seja apenas
uma palavra
mas um ato de vida.
E que venha 2013
domingo, 9 de setembro de 2012
Sem choque... sem mundo... apenas o silencio... que cala meu sentir.
“Hamlet Meu fardo
me conclama e me torna cada artéria
tão rija quanto os
nervos do leão
De Neméia. Outra vez ele me chama:
Largai-me, meus amigos; pelos
santos,
farei fantasma a quem me detiver
larga-me, digo! - vamos, vou
seguir-te
(saem fantasmas e Hamlet)
Horácio Ele se exalta na imaginação.
Marcelo vamos segui-lo. Não o
obedeçamos.
Horácio Vamos. O que sairá de tudo
isto?
Marcelo Algo está podre aqui na
Dinamarca.”
Estou assim, como Marcelo, sentindo um
cheiro que não tem lugar, aliás, sempre gostei desta passagem em
Hamlet, mas nunca me fez um sentido até então, pois achava que
gostava, por ela ser a menção de um problema longe de mim. Porém,
tenho uma ligação muito forte com a Dinamarca, ou mais
carinhosamente chamada de Danmark. Desde meus 15 anos, tenho
contato com um casal de senhores dinamarqueses, que na ultima vez que
os visitei, por temer ser a ultima oportunidade de reencontrá-los em
vida, eles me apresentavam para todos os vizinhos como sendo o “filho
brasileiro”. A Troels, minha mãe dinamarquesa, fez meu doce de
morango dinamarquês favorito, não que eu tenha comido muitos, mas
foi o que ela fez da ultima vez que passei por lá.
Na realidade esta passagem me diz de algo próximo, de algo que é meu, mais que de qualquer um.
Na realidade esta passagem me diz de algo próximo, de algo que é meu, mais que de qualquer um.
Mais que cheiro, eu sinto que não
vibro, que há um silêncio, há algo estranho dentro de mim. Nada
reflete, nada encaixa, apenas os movimentos na musica. Na formalidade
de meu comprometimento com o projeto e nada mais.
Minha reflexão começa há alguns meses
atrás, quando uma amiga me pergunta:
- Ti, você está sentindo algo
estranho? Então respondo, o que eu tinha para aquele momento, mas
não era somente aquilo que eu estava sentindo, era a discriminação
sentimental possível. Ela que levanta a ideia que refletia dentro de mim, a falta de vibração.
- acho que tem ligação com o tema
desse ano. Nossa conversa não foi muito adiante, mesmo porque
estávamos no horário para entrar. Neste mesmo dia, houveram duas
outras coisas. A primeira foi a dificuldade de entrar na Club (neste
momento, me questionei se era somente a questão física ou não).
Senti-me isolado, para fora, mas até ai, acreditava que poderia ser
a minha maneira de ser, de ser reservado, de ser fechado.
Mais tarde, depois de um encontro sem
ensaio propriamente dito, e depois de muita conversa, de reviver o
momento que "Pretty Woman" foi apresentada como sendo o tema da proxima apresentação, justamente quando estava num momento tenso
com minha mãe e que hoje, não estou mais, sempre resignificando,
até que, um amigo me pergunta.
- Tiago, você está muito calado, o que
acontece?
- não sei, ainda estou muito confuso.
Referia-me sobre o silêncio que estava dentro de mim.
Na mesma semana, mudança de horário.
Tive que mudar um pouco meus planos, podendo participar apenas como
uma metade de mim. O que me deixou mais encucado. Estava ficando mais
distante.
Algo que deveria vibrar e não estava
vibrando, não tinha raiva ou amor, ou qualquer coisa e assim foi nos
ensaios, apenas a técnica, uma perna, um braço, posse. Isso não significa que não brinquei, ou me diverti, mas algo me faltava. Minha
vontade está sem vibração, como se estivesse sendo abandonado de
lado, assim, como deixamos aquele brinquedo que tanto gostavamos de
lado por não fazer mais sentido... mas o que deixou de fazer
sentido?
O pior sentimento é a indiferença,
mas porque estaria indo para esse sentido? Normalmente, acontece
quando me defendo de algo que possa me ferir... mas o que estava me
ferindo? Seria o fato de não “existir” mais "Santa Club"? Com o
punho erguido. O que aconteceu de um tempo para cá? O que aconteceu
que não reflete dentro de mim? Que fuga é essa que preciso me
colocar indiferente, repetindo os movimentos sem uma emoção sequer,
apenas no ritmo, sem deixar a emoção apoderar de mim.
Na sexta-feira do feriado, tive um
encontro, fui ver um filme de dinossauro com uma amiga muito querida,
e o filme era ruim, mas o reencontro fez algo vibrar em nossa
conversa, entre nosso contato, que me levou a escrever este texto,
pois percebi que estava abandonando parte de mim, que não consegue
seguir em frente... e o que fazer para recuperar esta outra parte?
Quais fantasmas preciso enfrentar para conseguir sentir novamente?
Seria o medo de meus “pais dinamarqueses” morrerem e, com isso, eu
deixar de existir na Dinamarca?
Ou como O Teatro Mágico diria:
"enquanto houver você do outro lado/ Aqui do outro eu consigo me
orientar". Estou sem oriente, sem orientação, talvez, por não
sentir, por ser tomado pelo silêncio, pela falta de reverberação
em mim, algo que antes não havia. Não tem a tensão da arte, apenas da
técnica e o abandono de algo que me foge, que me silencia que me
entristece, que me faz repetir os movimentos, somente por repeti-los,
e não por amar ou odiar aquele movimento, não é o chão, ou o
pular, é apenas um mover sem sentido.
Curioso comportamento, acabei de
sentir um aperto no coração, mandei um e-mail para Addy and Troels
(meus pais dinamarqueses) perguntando como eles estão, algumas lágrimas ensaiaram a sair,
desde o começo do ano, não falo com eles e esse texto me
impulsionou a escrevê-los e um sentido se fez, a "Saudade". E qual é
o sentimento que estou na dança?? Nos movimentos da vida?... no
abandono de mim mesmo em busca de minha exatidão, no abandono para
não sentir o aperto no coração de não ter noticias de pessoas que
foram importantes, de pessoas queridas, no abandono de mim para
terminar logo, no abandono de mim.... de mim... de eu mesmo... no
silencio... sem eco... sem retorno... ou no barulho... sem escuta...
seja no silencio ou no barulho, o que deveria aflorar ficou ali,
preso em minha caixa, que temo abri e prendo Pandora para ela também não abri-la.
A esperança é incerta e o processo pode ser mais doloroso do que posso realmente aguentar. Os reencontros é o que estrutura uma boa ou má relação, neste momento percebo que deixei muitos contatos que poderia ter mantido, mas também faz sentido deixarmos de lado, assim como faz sentido lutar por outros contatos, assim como também brigar por eles e com eles... Qual é o reencontro que preciso acontecer...
A esperança é incerta e o processo pode ser mais doloroso do que posso realmente aguentar. Os reencontros é o que estrutura uma boa ou má relação, neste momento percebo que deixei muitos contatos que poderia ter mantido, mas também faz sentido deixarmos de lado, assim como faz sentido lutar por outros contatos, assim como também brigar por eles e com eles... Qual é o reencontro que preciso acontecer...
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